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RELAÇÕES POLÍTICO-ESTRATÉGICAS DA PARCELA SULAMERICANA PERTENCENTE À ORGANIZAÇÃO DO TRATADO DE COOPERAÇÃO AMAZÔNICA SOB A PERSPECTIVA NEORREALISTA de Gustavo de Andrade Rocha é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-No Derivative Works 3.0 Brasil.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Superávit primário de maio e Teoria do Descolamento 2.0

Ontem, dia 27 de maio, foi divulgado o relatório sobre o resultado do tesouro federal para o mês de abril de 2009. Para minha surpresa, apesar do registro de ter havido uma diminuição na arrecadação de impostos, ainda foi registrado um Superávit Primário de R$10,1 bilhões, bem maior que no mês anterior que foi de R$6,5 bilhões. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma diminuição.


Voltando agora, para a Teoria do Descolamento 2.0, que afirma que Brasil, China e Índia começariam a se recuperar da crise antes dos EUA, entre outros motivos, por já manterem políticas anti-inflacionárias antes da crise, e agora terem "bala na agulha" para reativar seu crescimento.

Como a própria The Economist afirma, é preciso que o Brasil observe sua Política Fiscal e Monetária para que esse crescimento se torne amplo e sustentável. É necessário que o governo reinvista, ao menos uma parte deste dinheiro como forma de aquecer o mercado interno do país. Já em relação à Política Monetária, o Brasil já está no caminho certo, ainda precisa reduzir mais a Selic, mas já o fez.

Isso, somado ao fato de que a China já se tornou o maior parceiro comercial do Brasil, é o sinal de que o pior da crise já passou para nós. A questão agora, é voltar a crescer num ritmo normal. Alguns argumentam que a economia mundial não voltará a ser a mesma, enquanto o consumo nos EUA não voltar ao normal. Porém há sim, uma solução para este problema. Existem muitas lacunas deixadas pela contração americana e européia. Com a falta de crédito, essas economias não puderam ocupar esses espaços. E é aí, que está a grande oportunidade para economias como a brasileira, chinesa e indiana. Não que espere-se como essa crise, que os EUA deixem de ser Super-Potencia mundial, porém é sim, a oportunidade de diminuir o desnível entre as Economias Desenvolvidas e as grandes Economias em Desenvolvimento e com um baixo endividamento. Infelizmente, esta recuperação prevista, só está limitada a essas características, pois economias com alto grau de endividamento ou que não possuem um Consumo interno relevante, dependem mais da economia norte-americana, que ainda precisa de outros fatores para uma re-aceleração.

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Novamente, Coréia do Norte

Voltando a falar no assunto que está tão em alta na mídia, a atual tensão no cenário político internacional causada pelos testes da Coréia do Norte, pretendo expor neste tópico, novos problemas e a relação dessa "crise" com o Brasil.

Primeiro, vamos falar da nossa perspectiva. Apesar de muito distante da Coréia do Norte, o Brasil, que tem a ambição de se tornar um dos Líderes Globais, estava em via de estabelecer a primeira embaixada em Pyongyang. A estratégia do Brasil era, e ainda é, estabelecer além dos laços diplomáticos, conexões de Comércio Bi-lateral com o país. Isso, para tentar ganhar importância na região. O que é bem simples de entender, visto que o país da península coreana praticamente não possui parceiros comerciais. A intenção brasileira continua existindo, sofrendo apenas um adiamento por tempo indeterminado.

Não é apenas um negócio político para o Brasil, tendo em vista as dificuldades norte-coreanas para abastecer a população com alimentos e a posição brasileira no mercado alimentício. Apesar de tratar-se de um país pobre, com pouco poder aquisitivo, as compras são governamentais, então possui uma escala considerável, o que seria interessante para qualquer fornecedor, além do fato que tudo sinalizava, antes dos testas, para uma possível ajuda econômica ao país. Porém é impossível negar, que para o Brasil, o maior interesse seria ganhar importância na região, para poder opinar em rodadas de negociação de um possível tratado de paz, ou mesmo de uma sonhada reconciliação.

Porém o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, se viu forçado a recuar devido ao teste nuclear e aos lançamentos de mísseis de curto alcance em direção ao Mar do Japão. O Diplomata que assumiria o cargo de Embaixador, o Sr. Arnaldo Carrilho, fica em Beijing até segunda ordem. Essa é a nossa deixa para falar dos novos fatores que pioraram ainda mais a imagem da Coréia do Norte perante a Comunidade Internacional.

Ontem, a Coréia do Sul, após se reunir com diversos aliados, anunciou que interceptaria navios que fossem suspeitos de carregar suprimentos para armas de destruição em massa. Com essa atitude de Seúl, Pyongyang anunciou que qualquer navio seu, que fosse interceptado, seria considerado um ato de guerra do vizinho, e que a resposta seria um poderoso ataque militar. É preciso lembrar, que apesar do apoio chinês e russo ter diminuído, o Estado norte-coreano depende, e muito, da China e da Rússia.

Com tudo isso, uma fonte oficial de Moscou informou à Agências de Notícias que a Rússia já toma providencias, temendo uma possível guerra nuclear. Uma possibilidade improvável, porém é uma precaução compreensível devido ao tamanho do potencial destrutivo de tal evento.

Com tudo isso, a Bolsa de Seúl vem reagindo mal, devido ao nervosismo dos investidores. O que num período de crise, pode deixar país numa situação ainda pior, mesmo que não haja nenhum ataque.

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terça-feira, 26 de maio de 2009

Testes nucleares da Coréia do Norte

Para quem estuda as Relações Internacionais, estamos diante de um caso ideal para o estudo sob a óptica do paradigma neorrealista de Waltz. Para quem não é da área, em resumo, significa dizer que a Coréia do Norte, vem tentando aumentar seu poder de barganha no cenário internacional através do chamado Hard Power, ou Poder de Alta Densidade. Hard Power é o poder que deriva do conjunto de possibilidades relativas ao uso da força. Ao contrário do Soft Power ou Poder de Baixa Densidade, que deriva da capacidade de um Estado de influenciar economicamente, socialmente e/ou ideologicamente.

Bom, tendo isto em vista, vamos tentar entender primeiro, por que razão a Coréia do Norte optou por desenvolver um potencial bélico-nuclear. Vou citar alguns fatores, alguns explicarei logo a seguir.

- Devido aos poucos recursos, necessidade de concentrar todas os esforços em apenas uma ação.

- Além do poder físico desse tipo de bomba, ela possui uma fama talvez maior que a própria capacidade.

- Outro tipo de poder bélico, seria facilmente contestado, e possivelmente fácil de vencer, considerando o apoio Norte Americano aos Japoneses e Sul Coreanos.

- Impossibilidade de manter o regime, com os Embargos que sofre. Especialmente com a perda recente do auxílio chinês, que auxiliava especialmente com alimentos.

Explicando os tópicos acima, a Coréia do Norte é fruto de uma divisão ocorrida ao fim da Guerra da Coréia, onde dois grupos, um apoiado pelos EUA e Reino Unido e outro pela China e a antiga União Soviética. O resultado, um governo Socialista ao norte e um governo Capitalista ao sul(típica consequência da guerra fria). Enquanto a Coréia do Sul se desenvolveu economicamente, tornando-se uma das potencias econômicas da Ásia, sua vizinha do Norte, viu um de seus aliados ruir e mais recentemente, a China, se afastar. Essa falta de apoio, levou o governo Norte-Coreano a um colapso óbvio, devido à sua dependência dos grandes aliados. Economicamente arrasada, politicamente fechada e tradicionalmente militarizada, a solução encontrada para negociar um futuro melhor com "os estrangeiros" foi aumentar seu potencial destrutivo, ameaçando potencias econômicas importantes para o mundo inteiro, o Japão, a sua irmã do Sul, a própria China, sua antiga aliada (sem falar de Taiwan e Hong Kong).

O teste noticiado recentemente, é o segundo do tipo. O primeiro foi realizado em 2006, o qual resultou em uma série de negociações e do posterior descumprimento das promessas de ambos os lados. Primeiro, dos Norte-Americanos, depois, dos Norte-Coreanos. Os EUA haviam prometido tirar a Coréia do Norte da lista de Estados Terroristas, auxílio humanitário e econômico. Por outro lado, a Pyongyang havia se comprometido a desativar suas instalações nucleares, o que num gesto de boa vontade, começou a realizar com a destruição de uma das torres utilizadas para o beneficiamento de Plutônio. Em face aos descumprimentos seguidos de Wasgington, eles retomaram o projeto, mostrando que não estão para brincadeira. O recente teste se compara às bombas lançadas nas cidades japonesas ao fim da Segunda Guerra Mundial. Porém se comparada às ogivas atuais dos Estados Unidos, não são grande coisa. O grande poder desta bomba, é o efeito psicológico que ela detém, especialmente, contra os japoneses.

Tendo como perspectiva, o lado Norte-Americano que é aliado tradicional tanto do Japão, quanto da Coréia do Sul, além de querer evitar uma tragédia sem proporções, também detém interesses econômicos fortíssimos. Só a instabilidade causada pela informação na região, já prejudica a Economia da região, imaginem o efeito que teria sob a economia mundial, se uma cidade japonesa fosse atingida.

Para a ONU, o caso é antigo. Desde o período da Guerra das Coréias, que a organização tentou intervir na região, sem muito sucesso. As sanções impostas até o momento não estão demonstrando surtir efeito, o que enfraquece ainda mais a organização naquela região. Porém é preciso um consenso ou um acordo muito grande que envolva EUA e China para que a solução possa vir a ser resolvida, e as Nações Unidas são o caminho mais óbvio para tal negociação.

É bom ressaltar, que uma saída pacífica e bem negociada, pode levar à um enfraquecimento do regime, e uma consequente abertura política no norte da Coréia. Isto levaria o país a um caminho menos ditatorial. Só torço para que não haja uma "imposição de regime democrático", pois não há nada menos egoísta do que forçar um povo a um regime que sequer entende. Um trabalho bem feito, o caminho aparentemente perfeito, seria a retomada dos diálogos entre as duas Coréias, para quem sabe um dia, voltar a existir apenas uma nação chamada Coréia, dessa vez, com o Soft Power e Hard Power desenvolvidos, o que criaria o caminho para se tornar uma Potencia Global.

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domingo, 24 de maio de 2009

Visão do Ministro

Um dia, eu leio na The Economist a matéria citada no Post anterior... No outro, abro os sites de notícias e encontro:O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta (22), em São Paulo, que a economia brasileira já está "em vias de recuperação". [G1/economia e negócios].

Não estou dizendo que a The Economist tenha nenhum vidente em seu quadro de funcionários... Ao contrário, suas previsões foram feitas pelos mais sólidos argumentos... Encontrados apartir de uma pesquisa menos pessimista de dados.

Aguarde, amanhã postarei um novo tema

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