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RELAÇÕES POLÍTICO-ESTRATÉGICAS DA PARCELA SULAMERICANA PERTENCENTE À ORGANIZAÇÃO DO TRATADO DE COOPERAÇÃO AMAZÔNICA SOB A PERSPECTIVA NEORREALISTA de Gustavo de Andrade Rocha é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-No Derivative Works 3.0 Brasil.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Crise do Cáucaso

Não é exatamente uma novidade um conflito entre Georgia e Rússia. Com a desintegração da União Soviética, a independência da Georgia foi marcada por conflitos internos e externos, entre eles contra os movimentos separatistas da Ossétia do Sul e da Abkhazia. Desde então, a Rússia vinha mantendo uma intervenção militar na Abkhazia sob a alcunha de "força de paz" e uma relação muito próxima com o governo e com o movimento separatista ossetiano.



Desta vez, entretanto, alguns analistas afirmam que a Georgia teria tentado retomar o controle total da Ossétia do Sul, movendo suas tropas algumas horas após a abertura das olimpíadas em Pequim (conscientes ou não, um ótimo momento estratégico). Porém ao contrário do que esperavam os georgianos, o Kremlim prontamente correu em socorro aos ossetianos reposicionando suas tropas e reacendendo o conflito.



Para Moscou estão envolvidas questões muito importantes de caráter estratégico. Politicamente é fundamental para a Rússia tomar atitudes enérgicas contra o avanço do "guarda-chuva" de influencia da OTAN(e dos EUA), e a Georgia é um território fundamental pois pelo país passa nada menos do que o maior oleoduto do mundo. Falando em elementos econômicos, a região da Abkhazia é extremamente importante para escoar o trigo russo pelo Mar Negro. Tratando-se do Governo Russo, se existe uma questão para inflamar os ânimos dos nacionalistas da Rússia é falar em Imperialismo Norte-Americano, o que ironicamente vem acompanhado da afirmação que os russos estão intervindo em favor dos ossetianos contra um processo de limpeza etnica (alguém lembra das atrocidades russas na guerra da Chechênia?).

A questão é muito maior do que interferir num vizinho, a Georgia além de fazer fronteira com a Turquia(membro da OTAN) tem fronteiras com a Armênia e com o Azerbaijão (logo abaixo fica o Irã). Alguns analistas já levantaram a possibilidade de uma aproximação do Kremlim com os países que fazem oposição aos EUA, e se isso for real, nada mais importante do que manter poder sobre essa região.

A Rússia não está apenas preocupada com os fatores políticos e com o petróleo, também há uma preocupação em relação aos alimentos. Hoje presenciamos uma crise mundial e a Georgia é um importante fornecedor de produtos alimentícios para a "Mãe Rússia".

Por outro lado, é muito difícil que haja uma reação muito forte por parte da OTAN. Um fator se destaca para esta afirmação, os países da "Europa Ocidental" dependem muito do gás russo, tanto para a indústria quando para o aquecimento urbano. Uma decisão russa de cortar o Gás seria ruim tanto para algumas das maiores economias do mundo, como seria péssimo para a satisfação da população em países como França e Alemanha (o que seria um suicídio político para Sarkozy e Merkel).

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