Para quem estuda as Relações Internacionais, estamos diante de um caso ideal para o estudo sob a óptica do paradigma neorrealista de Waltz. Para quem não é da área, em resumo, significa dizer que a Coréia do Norte, vem tentando aumentar seu poder de barganha no cenário internacional através do chamado Hard Power, ou Poder de Alta Densidade. Hard Power é o poder que deriva do conjunto de possibilidades relativas ao uso da força. Ao contrário do Soft Power ou Poder de Baixa Densidade, que deriva da capacidade de um Estado de influenciar economicamente, socialmente e/ou ideologicamente.

Bom, tendo isto em vista, vamos tentar entender primeiro, por que razão a Coréia do Norte optou por desenvolver um potencial bélico-nuclear. Vou citar alguns fatores, alguns explicarei logo a seguir.
- Devido aos poucos recursos, necessidade de concentrar todas os esforços em apenas uma ação.
- Além do poder físico desse tipo de bomba, ela possui uma fama talvez maior que a própria capacidade.
- Outro tipo de poder bélico, seria facilmente contestado, e possivelmente fácil de vencer, considerando o apoio Norte Americano aos Japoneses e Sul Coreanos.
- Impossibilidade de manter o regime, com os Embargos que sofre. Especialmente com a perda recente do auxílio chinês, que auxiliava especialmente com alimentos.
Explicando os tópicos acima, a Coréia do Norte é fruto de uma divisão ocorrida ao fim da Guerra da Coréia, onde dois grupos, um apoiado pelos EUA e Reino Unido e outro pela China e a antiga União Soviética. O resultado, um governo Socialista ao norte e um governo Capitalista ao sul(típica consequência da guerra fria). Enquanto a Coréia do Sul se desenvolveu economicamente, tornando-se uma das potencias econômicas da Ásia, sua vizinha do Norte, viu um de seus aliados ruir e mais recentemente, a China, se afastar. Essa falta de apoio, levou o governo Norte-Coreano a um colapso óbvio, devido à sua dependência dos grandes aliados. Economicamente arrasada, politicamente fechada e tradicionalmente militarizada, a solução encontrada para negociar um futuro melhor com "os estrangeiros" foi aumentar seu potencial destrutivo, ameaçando potencias econômicas importantes para o mundo inteiro, o Japão, a sua irmã do Sul, a própria China, sua antiga aliada (sem falar de Taiwan e Hong Kong).

O teste noticiado recentemente, é o segundo do tipo. O primeiro foi realizado em 2006, o qual resultou em uma série de negociações e do posterior descumprimento das promessas de ambos os lados. Primeiro, dos Norte-Americanos, depois, dos Norte-Coreanos. Os EUA haviam prometido tirar a Coréia do Norte da lista de Estados Terroristas, auxílio humanitário e econômico. Por outro lado, a Pyongyang havia se comprometido a desativar suas instalações nucleares, o que num gesto de boa vontade, começou a realizar com a destruição de uma das torres utilizadas para o beneficiamento de Plutônio. Em face aos descumprimentos seguidos de Wasgington, eles retomaram o projeto, mostrando que não estão para brincadeira. O recente teste se compara às bombas lançadas nas cidades japonesas ao fim da Segunda Guerra Mundial. Porém se comparada às ogivas atuais dos Estados Unidos, não são grande coisa. O grande poder desta bomba, é o efeito psicológico que ela detém, especialmente, contra os japoneses.
Tendo como perspectiva, o lado Norte-Americano que é aliado tradicional tanto do Japão, quanto da Coréia do Sul, além de querer evitar uma tragédia sem proporções, também detém interesses econômicos fortíssimos. Só a instabilidade causada pela informação na região, já prejudica a Economia da região, imaginem o efeito que teria sob a economia mundial, se uma cidade japonesa fosse atingida.
Para a ONU, o caso é antigo. Desde o período da Guerra das Coréias, que a organização tentou intervir na região, sem muito sucesso. As sanções impostas até o momento não estão demonstrando surtir efeito, o que enfraquece ainda mais a organização naquela região. Porém é preciso um consenso ou um acordo muito grande que envolva EUA e China para que a solução possa vir a ser resolvida, e as Nações Unidas são o caminho mais óbvio para tal negociação.
É bom ressaltar, que uma saída pacífica e bem negociada, pode levar à um enfraquecimento do regime, e uma consequente abertura política no norte da Coréia. Isto levaria o país a um caminho menos ditatorial. Só torço para que não haja uma "imposição de regime democrático", pois não há nada menos egoísta do que forçar um povo a um regime que sequer entende. Um trabalho bem feito, o caminho aparentemente perfeito, seria a retomada dos diálogos entre as duas Coréias, para quem sabe um dia, voltar a existir apenas uma nação chamada Coréia, dessa vez, com o Soft Power e Hard Power desenvolvidos, o que criaria o caminho para se tornar uma Potencia Global.



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